Não existe inovação sem comunicação

Não é incomum a inovação vir do meio em que as pessoas “arriscam a própria pele”. Com isso, me refiro a uma expressão do pensador Nicholas Taleb, ou seja, pessoas que estão na linha de frente, junto ao cliente, na operação, fazendo a coisa toda acontecer.

Por Camila Lustosa, Diretora da Santo de Casa Endomarketing

 

 

O que percebemos ao longo de 12 anos de pesquisas com foco em comunicação junto a organizações de todo porte é que temos alguns entraves a um ambiente de inovação:

Distanciamento da alta gestão: a alta gestão costuma ter pouco tempo disponível (ou dedica pouco tempo) para aproximar-se da “base” e muitas vezes dos seus próprios gestores. Isso a impede de ver e sentir as oportunidades. Mas felizmente hoje temos meios e canais viabilizados pela tecnologia e que facilitam esse processo, vale investir.

Gestores

Muitas vezes excelentes técnicos, assumem posições de liderança despreparados e inseguros para exercerem seu papel: apoiar a equipe (estamos falando aqui de delegar sem “delargar”), incentivar as pessoas a trabalharem melhor e praticar a escuta (ativa), permitindo que as ideias e iniciativas sejam acolhidas e levadas à prática. Importante aqui que um gestor tenha algo a perder com o fato de não conduzir o processo desta forma, entendendo que todos perdem ao não criarmos esse ambiente e são corresponsáveis por isso.

A qualidade da comunicação

Comunicarmo-nos sempre foi um desafio. O processo é complexo, envolve repertório, vivências, cognição, aspectos psíquicos, habilidades. Hoje, temos novos meios para este fim e, com isso, o desafio só aumenta. O tom, a forma e o conteúdo tornam-se ainda mais importantes. Este ponto é um dos principais causadores da improdutividade nas organizações: a falta dos porquês, informações incompletas ou equivocadas, a falta de clareza na troca de informações, um diálogo em tom alterado. Tudo contribui para uma comunicação enviesada. Quem paga o preço? A empresa como um todo, claro, com menos resultados e menos oportunidades.

Os silos

Em 70% das empresas pesquisadas até hoje por nós, os profissionais das diferentes áreas não se conhecem, não sabem o que cada uma delas faz e menos ainda qual sua importância para o resultado global. E visão sistêmica é uma das premissas para as pessoas se entendam num ecossistema e entreguem o que se espera delas.

A falta de autonomia

Quando um profissional não tem o mínimo de autonomia para exercer seu trabalho, a inovação simplesmente não acontece. É comum vermos profissionais desengajados pelo fato de não poderem tomar decisões. Uma comunicação efetiva, que deixa claro o que a empresa deseja e para onde vai, pode contribuir para isso.

O clima organizacional, o resultado financeiro e a credibilidade da organização dependem desses fatores bem resolvidos. Neste momento, quando falamos em uma comunicação simétrica, não se trata de um formato possível apenas: sem esses atributos, não há como manter-se como um player relevante no mercado.

Sabemos que a tarefa não é fácil, mas há formas divertidas, desafiadoras e altamente inspiradoras de criar esse ecossistema. Desenvolver um ambiente com uma comunicação simétrica, efetiva, clara e objetiva é uma delas.

https://www.ebdicorp.com.br/business-innovation-2019/

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *