Cultura de startup aplicada em organizações

Com os millenials assumindo cargos em organizações é importante entender esses perfis e de que forma eles podem se sentir mais engajados nas empresas. Para isso, os modelos de gestão adotados pelas startups são boas referências para se inspirar.

 

5 passos para construir a cultura startup

Por *André Arcas

A cultura de uma empresa pode fazer ou destruir um negócio. Nenhuma novidade até aí. Mas em uma era marcada pela inovação e pela entrada dos millennials no mercado, conhecer algumas nuances da chamada cultura startup pode ajudar, e muito, a pavimentar o caminho de qualquer empresa para o sucesso. Por isso, separei cinco lições que podem te ajudar no processo de repensar alguns hábitos organizacionais. Confira!

#1. Esqueça o plano de negócios.

Aquele calhamaço de papel para realizar as projeções de longo prazo do negócio foi trocado pela metodologia lean. A ideia é validar as premissas básicas de um negócio ou projeto, com pequenos experimentos, antes de se investir nela. Esse processo de validação deverá envolver o mínimo possível de tempo e dinheiro, para fazer os ajustes necessários o quanto antes. Se você quer testar um novo produto ou serviço com uma base de clientes que você já tem, por exemplo, você poderia enviar um email marketing em que eles podem se cadastrar numa lista de espera. Se não houver aderência, essa pode não ser a melhor ideia; se houver, tem algo de interessante nessa oferta.

#2. Pare de punir o erro.

No mundo corporativo, o erro é punido. Dependendo do tamanho do erro, isso pode custar até o emprego. Isso pode não parecer muito relevante, mas entenda: uma pessoa jamais será criativa se ela tiver medo de errar. Para ser criativo você precisa estar aberto à possibilidade de estar enganado. Uma cultura de inovação, pelo contrário, abraça o erro. Errar, especialmente num ambiente controlado, é a melhor maneira de aprender.

#3. Não confunda criação com gestão.

Criar um negócio e gerir um negócio demandam competências bem diferentes. Por isso, é importante colocar as pessoas certas à frente de cada um dos desafios. Na essência, um bom gestor otimiza resultados e recursos em um contexto estático. O mercado, os concorrentes, o produto e os processos estão dados; ele precisa extrair o máximo disso. Um empreendedor, pelo contrário, é um desbravador de possibilidades. Ele precisa pensar de maneira flexível e integrada, testando constantemente caminhos completamente contraditórios entre si.

#4. Flexibilidade para mudar de rumo.

E esse é talvez um dos maiores aprendizados que podemos ter com uma startup. Companhias tradicionais, muito em função de terem sido criadas em um contexto analógico, têm processos e estruturas organizacionais mais rígidas; nas startups tudo é mais maleável. Isso permite que elas tenham uma agilidade muito maior para promover mudanças e reagir a alterações drásticas de mercado. E em um mundo acelerado como o nosso, essa capacidade é fundamental.

#5. Compreenda que nada é para sempre.

Muitas vezes, o produto que levou a sua empresa ao sucesso é justamente o que está no caminho da sua sobrevivência no futuro. Às vezes precisamos matar o produto que nos levou ao topo, por mais doloroso que isso seja. Se a sua empresa não inova, muito provavelmente outra companhia virá e tomará seu lugar.

O caso mais emblemático disso é a Blockbuster. Uma companhia gigante, com uma grande clientela fiel e que morreu em pouquíssimos anos, quase de maneira surreal. A grande ironia dessa história é que uma tal de Netflix fez uma oferta para ser comprada pela gigante em 2000, que rejeitou a proposta por achar o streaming de filmes “nichado demais”. Se a Blockbuster tivesse tido a coragem de recriar seu negócio, talvez fosse ela que nós assistíssemos para ver a última temporada da Casa de Papel.

*Fundador e coach de palco da Arcas Treinamentos. Advogado formado pela USP, estudou empreendedorismo e inovação por Stanford, negociação em Harvard, storytelling pela IDEO e PNL (Programação Neuro-Linguística) na SBPNL.

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