Brasileiro está mais preocupado com saúde mental

“A saúde mental não é motivo para vergonha, mas exige cuidados como o restante do corpo. Talvez até mais”

Imagem Shutterstock

Via Revista Melhor (

6 de fevereiro de 2020

Os beneficiários de planos de saúde médico-hospitalares estão realizando cada vez mais procedimentos de assistência à saúde. Entre 2013 e 2018, o setor perdeu 1,5 milhão de vínculos, mas o total de serviços de saúde per capita passou de 22,8 para 29,7.

No total, em 2018, foram realizados 1,40 bilhão de procedimentos de assistência médico-hospitalar, 5,4% a mais do que em 2013; o que elevou as despesas assistenciais (os gastos das operadoras de planos de saúde com os pacientes em suas carteiras) de R$ 92 bilhões, em 2013, para R$ 160 bilhões no ano passado. Alta de 74%. Os números integram a análise especial do Mapa Assistencial, que acaba de ser publicada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).

Parte significativa deste aumento se deve a maior preocupação do brasileiro com sua saúde mental. Nos últimos cinco anos, o número de consultas com psiquiatras passou de 3,4 milhões para 4,9 milhões, um crescimento de 44,5%, destacando-se entre as consultas médicas ambulatoriais por especialidades. Em “outros atendimentos ambulatoriais”, o total de sessões com psicólogos quase dobrou no mesmo período, indo de 9,1 milhões para 17,6 milhões – uma diferença de 93,8%. E as consultas com terapeutas ocupacionais avançaram de 818,6 mil para 1,9 milhão – alta de 137,8%.

 

José Cechin, superintendente executivo do IESS, aponta que essa mudança acompanha um agravamento do quadro de saúde mental nos últimos anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas no mundo (9,3% da população) e 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão. “Apesar de os dados indicarem um cenário preocupante, vemos uma evolução no debate sobre essas questões. É fundamental abrir espaços para que as pessoas possam falar sobre o assunto e o levantamento confirma que os beneficiários estão procurando a ajuda de profissionais”, destaca.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) também indicam que entre 35% e 50% das pessoas com transtornos mentais em países de alta renda não recebem tratamento adequado e, nos países de baixa e média renda, o porcentual é ainda maior, ficando entre 76% e 85%. Ainda de acordo com a entidade, a cada 45 minutos, uma pessoa comete suicídio no Brasil e 90% das vezes o caso está associado a algum distúrbio mental.

“É fundamental acabar com os preconceitos que ainda existem acerca deste tema para reverter este quadro e o aumento na procura por serviços de saúde suplementar relacionados à saúde mental indica que estamos dando um importante passo na desmistificação do assunto”, avalia Cechin. “A saúde mental não é motivo para vergonha, mas exige cuidados como o restante do corpo. Talvez até mais”, completa.

 

 

Saúde mental também pode ser uma meta corporativa

Da Redação
30 de agosto de 2019
Por Mari AchuttiCEO da Sputnik
A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a Síndrome de Burnout na Classificação Internacional de Doenças e a descreveu como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito”.Burnout não é um termo novo, mas nunca esteve tão atual. É um tipo de exaustão física, emocional e mental ligado diretamente à percepção de sucesso e reconhecimento. A Associação Internacional de Controle do Estresse (Isma-BR) confirma que 72% dos brasileiros estão estressados por conta do ambiente de trabalho.Estima-se que 32% dos trabalhadores brasileiros sofram com esse tipo de estresse. Além disso, num ranking de oito países perdemos apenas para o Japão, onde 70% da população apresenta os sintomas do burnout.

Sabemos que as jornadas de trabalhos são cada vez mais intensas e que o mercado é extremamente competitivo, que os funcionários estão sobrecarregados em múltiplas funções, mas isso precisa ter um freio, a saúde mental não pode ser como um prêmio no “vale tudo das corporações”, algo atingido por uma parcela reduzida da população.

Na corrida maluca pela alta performance, estamos nos acostumando a observar diversas empresas a acumularem prejuízos relevantes na perda de funcionários, justamente, pela falta de cuidado com a saúde mental. Ser feliz e produtivo no trabalho não é se matar por ele. As culturas organizacionais são os pontos-chave dessa questão e essa máxima deve ser difundida em todas as empresas.

Estamos em alerta com os problemas que refletem diretamente na saúde das pessoas nas corporações. Hoje, apenas 18% das empresas possuem algum tipo de ação voltada para a saúde mental de seus colaboradores e precisamos mudar este  número. Temos que entender que as empresas precisam investir em cursos que trabalham essas questões para saber como melhorá-las no dia a dia do ambiente de trabalho.

Não dá mais para negar que o mundo corporativo está em colapso, com pessoas cada vez mais doentes emocionalmente e, por isso, defendo uma mudança de cultura e de mindset para frear o avanço dessa doença que, hora ou outra, toma conta de colaboradores que mais se destacam. E não falo de criar salas com pufes coloridos e mesas de ping pong, é preciso criar nas empresas um ambiente seguro emocionalmente.

Inteligência emocional está diretamente ligada à saúde mental e essa é uma verdade que não podemos mais esconder. Estamos em um mundo onde as pessoas não sabem dizer o que sentem, e isso reflete nas ações que são tomadas diariamente. Muitas pesquisas e os departamento de recursos humanos de muitas empresas já discutem este problema porque perceberam que ele reflete na performance dos times. As emoções são contagiosas. Na falta de inteligência emocional, um líder pode criar um ambiente tóxico, perigoso e que aumente o burnout.

Temos que aprender a fazer o diagnóstico da crise psicológica em que a sociedade se encontra nas nossas empresas e fornecer as ferramentas para que líderes e colaboradores tenham da qualidade da sua saúde mental. A meta deve ser ajudar as organizações no processo de transformação, pois uma equipe em equilíbrio performa melhor, e não somente gera impacto nos resultados da empresa, mas também e, principalmente, no clima organizacional.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *